Ferramentas e Tecnologias

Dando continuidade ao post anterior - Permacultura pétala a pétala, vamos hoje mergulhar de cabeça nas ferramentas e tecnologias e entender desde a etimologia das palavras até sua aplicação permacultural.



Atualmente, os avanços tecnológicos do final do século XX têm provocado na sociedade um afastamento progressivo dos indivíduos, isolando-os cada vez mais uns dos outros. Uma definição exata e precisa da palavra tecnologia fica difícil de ser estabelecida tendo em vista que ao longo da história o conceito é interpretado de diferentes maneiras, por diferentes pessoas, embasadas em teorias muitas vezes divergentes e dentro dos mais distintos contextos sociais. Em diferentes momentos, é possível perceber que a história da tecnologia vem registrada junto com a história das técnicas, com a história do trabalho e da produção do ser humano. A palavra tecnologia aparece no século XVIII e deriva do grego tékhne que remete à arte, indústria, habilidade; e de logos que pode ser entendido como argumento, discussão, razão. Ou seja, a tecnologia em sua etimologia é o conjunto de conhecimentos, argumentos e razões em torno de uma arte, de um fazer determinado, cujo objetivo é satisfazer às necessidades humanas.


Considerando que a evolução tecnológica se confunde com o progresso do próprio homem, tecnologia significa a razão do saber fazer. Foi a partir do desenvolvimento humano e da busca e necessidades do homem por realizar tarefas que surgiram as ferramentas.


Ferramentas são objetos que foram concebidos, inicialmente, para facilitar a realização de um trabalho mecânico, podendo então serem entendidas como extensões dos membros, usadas para que o corpo humano pudesse atuar no meio de maneira cada vez mais eficiente. Antropologicamente falando, o que diferencia o animal racional do não-racional é que o primeiro destes entendeu que não tem só o próprio corpo como instrumento, o que nos leva à reflexão de que o homem e a ferramenta se autocompletam, por mais rudimentares que sejam, de forma que eliminando uma, a outra também desaparece.

Tendo em vista que as ferramentas foram criações possibilitadas pela capacidade científica e de engenharia do homem através da experiência no fazer, podemos separar a tecnologia de acordo com o seu campo de estudo.


De uma forma geral, as tecnologias podem ser classificadas como: tecnologias clássicas, elétricas, avançadas, sociais, de arte e linguagem, militar, educacional, de comunicação, etc. Segundo a teoria da concepção de neutralidade da tecnologia afirma, a tecnologia não é boa nem má, seu uso é que pode ser inadequado, então em tempos de crises sociais, políticas e ambientais, surge a sustentabilidade em conjunto com a nova ética que prega o cuidar de si, dos outros e do meio ambiente. É o paradigma que busca se sobrepor aos valores do sucesso e do poder a qualquer custo.


Podemos definir como tecnologia sustentável a agregação e aplicação de todas as ciências, visando prioritariamente a continuidade da existência de todo ser vivente na Terra. Tem como desafio redirecionar as concepções atualmente existentes em novas formas de pensar e agir, com responsabilidade ao meio em que vivemos e as consequências das ações tomadas e não tomadas no seu devido tempo, adaptando as tecnologias existentes e as futuras para que o crescimento populacional e o nosso ecossistema sempre possam, de alguma forma, co-existir.


Atualmente tem surgido diversas ferramentas e tecnologias que visam a sustentabilidade. A gama já é bem grande e merecem destaque áreas que são de essencial importância para a manutenção da vida no planeta como a energia - nas quais podemos citar as fontes de energia limpa, solar, eólica, das marés, biogás e biocombustíveis, e a alimentação - com os sistemas agroflorestais, produção orgânica e biodinâmica, e jardins e espaços permaculturais coletivos, que são formas de cultivo que buscam produzir alimentos respeitando não só a necessidade de animais e plantas, mas também as questões sociais. Os resultado são alimentos ricos em nutrientes que geram saúde para o solo, para a água, para os trabalhadores da terra e para quem deles se alimenta.


Os trabalhos dos Institutos de Permacultura no Brasil, os eventos de Bioconstrução e os trabalhos de arquitetos, bioconstrutores e permacultores como, por exemplo, Clairton da Silva e Neimar Marcos da Silva em Alpestre no Rio Grande do Sul, com a construção de Ecovilas e o projeto Transition farms, são exemplos práticos de ação permacultural e do uso dessas novas tecnologias na transformação do espaço e do modo de vida da população.


A capacidade do homem de criar ferramentas o colocou à frente das demais espécies na cadeia evolutiva, pois desta forma teve a possibilidade de modificar seu ambiente, e ao invés de ter de procurar por alimentos, pôde cultivá-lo; ao invés de procurar um abrigo,

pôde criá-lo, e, tendo o essencial à sua sobrevivência garantido de forma fácil, sobrou-lhe tempo para desenvolver outras atividades, como as artes, as relações sociais a escrita, etc. Contudo, essa capacidade de alterar o ambiente, aliada à vida em grandes comunidades, fizeram com que o homem passasse a acreditar que era possível, ou talvez mesmo sem acreditar, o fez tentar dominar a natureza, modificando-a de uma maneira que esta passou a ser degradada. Assim sendo, por mais que se criem ferramentas e se desenvolvam tecnologias que facilitem seus trabalhos, se não existe uma consciência ecológica, não há possibilidade de perpetuação da espécie em forma societária, comunitária e justa para com todos os seres vivos, incluindo os próprios seres humanos. Fica a questão: se o ser humano não tivesse essa capacidade de desenvolver tecnologias avançadas, teria ele a capacidade de destruir o planeta da forma que o fazemos atualmente, não apenas correndo o risco de sofrer mais um fim desastroso, mas de colocar toda a vida do planeta em risco? Talvez o cerne da questão seja simplesmente que, o que torna o homem o ser mais inteligente deste planeta é também o que limita sua capacidade de se integrar à natureza.


A permacultura é essencial neste processo de integração pois ensina que não há tecnologia que supere a natureza, que devemos respeitá-la em primeiro lugar e com ela aprender e trabalhar juntos, e com essa sabedoria, a tecnologia que já desenvolvemos até hoje torna possível crescer sem tomar seu espaço, pelo contrário, conviver em harmonia e aliados num ambiente onde ambos possam se desenvolver plenamente.




Fontes:

http://www.environmentalscience.org/sustainability

https://lei3l.wordpress.com/category/ferramentas-e-tecnologia/

https://permacultureprinciples.com/pt/pt_flower_tools.php

https://en.wikipedia.org/wiki/Tool

http://www.sustainabilitydegrees.com/what-is-sustainability/

https://en.wikipedia.org/wiki/Technology

#pétalasdesignferramentastecnologiassocialperm

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